O Que Fazer Quando Filhos Não Amam Os Pais?

Muitas mães e pais sofrem por serem ignorados, até odiados, por seus filhos. Os filhos os excluem de suas vidas, nunca ligam, nunca falam e chegam até a não convidar para o casamento. E isso com pais e mães que deram tudo para os filhos, se sacrificaram por eles. Como lidar com isso?

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

Um ano atrás fiz um vídeo e artigo, com o  título “Filhos Que Não Amam os Pais” – http://giridhari.com.br/ensinamentos/filhos-que-nao-amam-os-pais/

O que me motivou foi ajudar filhos que sofrem por não amar os pais, sentindo-se na obrigação de amá-los, mas esbarrando no fato de terem pais tóxicos, que infernizam suas vidas.

O artigo começou a viralizar esse ano, com milhares de pessoas acessando-o todas as semanas. Minha surpresa se deu pela enxurrada de comentários no blog. Dezenas de comentários, todas as semanas. Mas comentários de pais e principalmente mães, não dos filhos!

Vale a pena clicar no link acima e ver os comentários. Virou uma espécie de comunidade de apoio. Uma história atrás da outra de pais e mães sentindo-se traídos e abandonados por seus filhos. Ingratidão, exclusão, mágoa, tristeza. As histórias falam de mães que sacrificaram tudo pelos filhos. Outras que ainda dão cama, comida e roupa lavada. Mas os filhos não querem saber de nada. Só maltratam ou ignoram.

Então pensei que era o momento de fazer outro vídeo e artigo, mas agora pensando nesses pais e mães sofridos. Uns falam que a vida se acabou por causa disso. Profunda depressão e tristeza por conta da falta de amor dos filhos.

Então, do ponto de vista dos pais e mães que estão passando por isso, como lidar com essa situação?

Primeiro, todo pai e mãe precisa de enormes doses de autoperdão. Criar filhos é tarefa árdua. Nos dias de hoje, mais do que nunca. Dificílimo. Os desafios, as provações, são inúmeras e gigantes. Portanto, perdoe-se primeiro por todas as falhas não-intencionais que possa ter cometido.

Agora vamos ser francos e começar a buscar possíveis causas para esta situação.

Sim, há pessoas horríveis. Sabemos disso. Há verdadeiros sociopatas, psicopatas, seres do mal por aí. Então, sim, é possível que você fez tudo certo e seu filho ou sua filha simplesmente é um ser do mal e por isso demonstra absoluta falta de gratidão, total desamor e frieza. Pode ser que você tinha um karma pesado e o mesmo se manifestou na forma de uma ser horrível como filho ou filha. Acontece.

Mas, provavelmente não é isso. E se não é isso, então temos que buscar as causas. Não é uma questão de atribuir culpa. Mas de buscar a causa para então encontrar uma caminho para a cura.

A primeira coisa a ver é se você não exagerou na disciplina. É fácil cair no padrão de apenas brigar, reclamar, exigir. Ainda mais quando já estamos cansados do trabalho, estressados. A paciência já vive meio esgotada. Aí vem dureza e rigidez no trato com filhos, especialmente na fase adolescente, quando eles estão mais rebeldes, testando os limites.

É fácil chegar nessa situação. Os pais se sentem tão responsáveis por tudo na vida dos filhos. Sentimos a obrigação de criar filhos que são pessoas boas, bem de saúde, com boas notas e queremos que arrumem o quarto e sejam responsáveis. Em muitas famílias obrigam os filhos a seguirem uma religião e seguir dogmas. Os filhos precisam ser fortes, inteligentes, saudáveis e bem-sucedidos.

Tantas fantasias, tantas demandas. Muitos pais transferem aos filhos suas frustrações com suas fantasias falhadas. Querem que “seja diferente” para os filhos. Empilhando assim exigências e mais exigências, acompanhados de falta de aprovação por não atingirem essas exigências, é fácil criar um clima tóxico.

Talvez tenha faltado o companheirismo, o equilíbrio. Manter a amizade, o lado divertido. Não só o amor na forma dura, mas em sua forma doce.

Talvez tenha faltado tempo junto em lazer. De novo, não se trata de culpa. Talvez você não teve tempo. Trabalhava o dia todo, chegava em casa e ainda tinha que fazer comida, limpar a casa, roupa, ajudar no dever de casa. Isso acontece. Mas ainda assim cria um distanciamento.

Cobrança é outro grande elemento de atrito entre pais e filhos.

Cobrança de ser isso e aquilo, de conseguir tais metas. Mães, em geral, gostam de cobrar amor também. Cobram reconhecimento. Afinal, é uma ralação sem fim ser mãe, ser pai. Sacrifícios enormes feitos, abriu mão de tantas coisas para dar aos filhos. Agora, querem cobrar.

Cobrar amor é receita certa para criar afastamento, em qualquer tipo de relacionamento. Não estimula o amor. Estimula o desgaste, torando a pessoa mais propensa a querer distância. Afinal, quem quer se aproximar de alguém que vai lhe trazer mais peso, quando a vida já é tão pesada?

Os filhos pensam, “eu não pedi nada disso”. E estão certos. Não pediram mesmo. Quem escolheu ter filhos foram os pais.

Essa mistura de demandas e cobrança por reconhecimento pode se tornar um fardo, gerando culpa e baixa autoestima nos filhos. Fardo este insuportável para uma adolescente já sobrecarregado com os medos e ansiedade que vem com fase que está vivendo.

O mundo não está fácil. Desemprego, medo de catástrofe climática, vício com pornografia, mídia social, drogas, violência urbana… ser adolescente nunca foi tão difícil.

E adolescente já naturalmente, biologicamente, tem a vontade de sair do ninho, de sair voando. Se em cima disso tem um ambiente hostil em casa, de disciplina, cobrança e insatisfação, é fácil imaginar uma fuga, uma negação dos pais.

Essas reflexões podem ajudar na busca de uma reaproximação no devido tempo.

Mas agora vamos na essência do yoga. Vamos tratar o problema, do ponto de vista puramente espiritual.

A essência do yoga é que trazemos o foco para nosso comportamento. Ficamos felizes quando agimos bem, e corrigimos nosso comportamento errado. O que outros fazem, é problema dos outros.

Não dependemos dos outros para sermos felizes, nem ficamos tristes quando agem de forma diferente daquela que esperamos. Este conceito foi explicado neste artigo e vídeo – http://giridhari.com.br/ensinamentos/alinhando-se-com-a-realidade/.

Portanto, cabe aos pais pensarem: “fiz meu dever?”, “fiz meu melhor?”. E pronto! Se a resposta for sim, acabou. Ato feito, ato entregue. Se o filho ou filha se comporta mal hoje, isso é problema deles. Eles é que estão falhando em seus deveres. Eles é que terão que conquistar a maturidade no ritmo deles.

Por que sua vida vai ser impactada pelo mal comportamento de outro? Por isso o yoga tanto fala de desapego. Fique leve e solto na vida. Fazendo seu melhor, para satisfazer Deus, não os outros. Deus reconhecerá exatamente o que você fez ou não. Outros não precisam reconhecer seus atos.

Que sentido tem dizer que sua vida acabou por que essa ou aquela pessoa, nem que seja seu filho ou filha, esteja agindo de forma diferente daquela que você imaginou? Isso é receita para infelicidade mesmo. Sua felicidade precisa depender apenas de você. Essa é a base do caminho do yoga, do Caminho 3T que eu tento ensinar. E funciona.

Portanto, se você está sofrendo com o mal comportamento dos filhos, pare e dê um passo para trás. Veja qual participação você tem no relacionamento ruim. Perdoe-se, perdoe o filho ou filha. Dê espaço. Dê tempo. Depois busque uma reaproximação. Deixe as portas abertas. Mas desapegue-se.

Seja feliz no hercúleo ato realizado de criar um filho, na doação incalculável que fez. Seu dever foi cumprido. Você pagou sua dívida com seus ancestrais que também passaram por isso. Entregue a Deus.

Se seu filho ou filha não quer mais saber de você, veja o lado positivo! Mais tempo e energia livre terá para voltar a se cuidar, para trabalhar seu auto-aprimoramento e autorrealização.

Chega de mágoas. Isso é um veneno. Só você sofre.

Se você está assim, você precisa trabalhar muita coisa em você mesmo. E isso é parte do problema que está se manifestando no relacionamento ruim com os filhos.

Buscamos nos curar, não achar defeitos nos outros.

Continue emanando amor. Sem raiva. Sem mágoa. Deixe a vida fluir, trazendo sua atenção a sua vida além do papel de mãe ou pai.

Agradeça a situação e traga o foco para você mesmo. Para se curar, se aperfeiçoar, para elevar sua consciência, para você crescer e ser feliz.

5 ideias sobre “O Que Fazer Quando Filhos Não Amam Os Pais?

  • 21/11/2019 às 22:05
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    Mestre Giridhari , sempre grata por toda orientação e lucidez que encontro em suas Palestras.
    Hare Krishna .

    Responder
  • 29/11/2019 às 22:14
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    Não há nada à fazer, infelizmente isso é um caso sem volta, passo por isso, é aprendi que devemos deixar isso pra trás, não se compra ou exige afeto, se você é como eu quem dedicou vinte e tantos anos de sua vida e hoje mora no sofá, assistindo Netflix o dia todo, saiba que isso esfria o coração e há um corte definitivo do cordão umbilical. Sim você também deixa de ter afeto. Fato.

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  • 02/12/2019 às 12:06
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    Eu acho q criei meus filhos exatamente como fui criada pelos meus pais e nem por isso deixo de amar e dar atenção. Mas pelo q sinto além de ingratos, eles ainda ignoram e se afastam sem nenhum sentimento de amor. Tenho netos e por isso ainda procuro saber e ter notícias por mensagens q as x nem respondem. Se me afasto completamente ainda vão dizer q eu como avó não dei atenção aos netos. Como agir nessas condições, me afastar mesmo assim ?!

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  • 04/12/2019 às 16:31
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    boa tarde.
    tenho somente um filho, ele e medico veterinario e acho que ele nao me aceita com todos os meus defeitos.
    ja falou para mim q sou toxica, fico tentando falar com ele ao telefone mas ele diz nao ter tempo.
    ja tem mais de 10 anos que mora fora e diz nao se acostumar na casa dos pais.
    sofro muito com isso. pois acho q a culpa e minha, mas nao sei como mudar essa situacao…
    preciso de ajuda por favor…

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