Técnica do Yoga para Lidar com Confrontos Emocionais

Como podemos navegar aqueles momentos difíceis no auge de um confronto emocional? Como ancorar a mente novamente, no turbilhão de sentimentos ruins e sofrimento mental? Aqui vamos compartilhar uma técnica do yoga para se manter bem nessas situações e sair delas sem criar feridas e problemas desnecessários.

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

No calor de um desentendimento, as emoções tomam conta. Todo tipo de sentimento vem à tona. Quando se trata de relacionamentos antigos, como de família, pior ainda. Sentimentos presos saem, raivas e mágoas mal identificadas correm por sua mente.

Você está sendo agredido. Você é atacado com palavras que machucam profundamente. E ainda está tentando influenciar a decisão ou evento que trouxe tudo para fora.

O que fazer nesse momento?

Sendo atacado, nossa amídala cerebral entre em cena. Sentindo-se ameaçado, o “cérebro animal” não distingue uma agressão emocional de um ataque físico. Para o cérebro animal ataque é ataque, não importante de que tipo ou quem está do outro lado, e precisa ser respondido para garantir a sobrevivência.

A amídala cerebral então começa a tirar sua razão, tirando o córtex do processo de pensamento e decisão, de ação e planejamento.

Para muitos, a reação bolada pela nossa parte bestial é atacar de volta. Para outros é fugir ou congelar.

A vontade é de agredir. A pessoa me xinga e aponta defeitos que tenho e muitos outros que nem tenho. Então eu também farei o mesmo.

Podemos facilmente cair naquele padrão autodestrutivo: alguém lhe agride emocionalmente, então você tenta “educar” a pessoa, mostrando-a seus erros também. A pessoa entende isso em nada como educação, mas como ataques, e faz o mesmo de volta. E assim vai até que enormes danos são causados, relacionamentos são destruídos e ambos saem com gigantes feridas emocionais, que podem levar meses ou anos para curar. Um desastre. Todos saem perdendo.

No yoga, no Caminho 3T, buscamos uma alternativa. Diante dos ataques, reconhecemos a dor. Observamos nossas emoções em desordem. Notamos nossa amídala querendo tomar conta do córtex. Reconhecemos o desejo de partir para a agressão mútua.

Mas lembramos que temos o poder de autocomando. Lembramos que o “eu”, a alma, está acima de todos no hierarquia de comando da vida. E aí lembramos como devemos guiar nossas escolhas na vida: o dharma.

Nos agarramos no dharma, como alguém se agarra numa rocha num rio turbulento para não afogar.

Pensamos, “Estou sendo atacado, estou machucado, mas machucar outros emocionalmente nunca é útil. Diante deste turbilhão de emoções, o que é o melhor de mim? Qual meu propósito neste relacionamento?”

No relacionamento em questão, qual é seu papel? O que se espera de você? Como que este relacionamento define sua essência? Como se encaixa na pessoa que é?

Assim, reativamos nossa consciência dhármica. Buscamos nossa essência. Lutamos contra as investidas e propostas bestiais do cérebro animal, e pensamos: “Quando eu olhar para trás, o que quero ver de mim desta crise? Como gostaria que fosse minha atuação diante dessa pessoa? Que marco vou deixar?”

Aí, algo mágico acontece. Mesmo com tantas emoções correndo por sua mente, vem a luz. Você sabe exatamente o que é o melhor de você. E você exerce seu melhor. Você fala ou escreve palavras não baseadas em raiva, mas no melhor de sua sabedoria. Você fala não para “educar” o outro, muito menos para “machucar”, mas para expressar sua essência amorosa.

Você não mais se apega ao que outro está falando, sabendo que ele está tomado pelo cérebro animal dele. Você não dá bola para cachorros latindo, não vai cair de quatro e latir de volta. Assim também, você não responde no mesmo nível.

Você resgata seu dharma, seu propósito e segue para sua ação iluminada, que às vezes é tão simples como ficar no silêncio, não retrucar ou apenas dizer umas palavras de carinho.

Quanto mais você avançar, mais você vai preferir mil vezes ser atacado do que atacar.

Fazendo assim, você não cria feridas. Você não acumula feridas também, pois para de se sentir ofendido e agredido pela ação bestial do outro, sabendo que não é nada pessoal, que é simplesmente uma pessoa descontrolada, que está tóxica, que não cultivou seu autocomando como você.

Ancorado no dharma, ao invés de raiva, você emana amor. Ao invés de vingança, você procura ajudar. Ao invés de cultivar escuridão, você é luz.

Uma ideia sobre “Técnica do Yoga para Lidar com Confrontos Emocionais

  • 10/12/2019 às 16:16
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    Muito agradecida por ter você Giridhari como um guia espiritual nesta vida moderna de hoje.
    Lembrar sempre do Dharma para poder superar tantas desavenças e não gerar mais sofrimento pra si e também aos outros.

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