O Despertar Na Prática: Vivendo Uma Realidade Fora do Tempo

O despertar espiritual pode lhe dar acesso uma realidade fora do tempo. Não estou falando de uma vida celestial depois da morte, ou do Paraíso, mas agora mesmo. Vamos ver aqui com podemos acessar essa realidade divina fora do tempo, além da superfície da vida cotidiana. Vamos ver como o tempo é a fonte de todo seu sofrimento também.

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

O tempo é peça chave no caminho do despertar. Compreendendo o tempo, você vai viver melhor e poder transcender a matéria.

O tempo é uma coisa misteriosa, que até a ciência luta para compreender. Curiosamente, Einstein teve a brilhante ideia que tempo e matéria (espaço) são uma única coisa. Vamos ver como o tempo nos conecta com a realidade material e como podemos viver além do tempo agora mesmo, para experimentar a transcendência no dia a dia.

Krishna diz na Bhagavad-gita: “Eu sou o Tempo”, kālo ’smi em Sânscrito, no verso 11.32. Deus é esta força insuperável que empurra a realidade material para frente.

Mas há outra afirmação na tradição do yoga sobre o tempo que merece muita reflexão: é dito que na dimensão espiritual não existe o tempo.

Como assim? Dá para imaginar o que é isso? Dá sim. Melhor, dá para experimentar facilmente.

Quando aprofundamos nossa consciência podemos vivenciar a vida fora do tempo. Um exemplo simples: uma prática de mindfulness, onde você coloca todo seu foco em apenas respirar.

Durante o tempo que você coloca sua mente inteiramente no aqui e agora, o tempo não age, o tempo não passa.

No Paraíso dos Pândavas (www.pandavas.org.br) sempre ensino aos convidados como meditar, como parte da experiência de vir aqui.

Pessoas com zero experiência prévia em meditação ou mindfulness, apendem em 5 minutos como fazer a meditação mântrica, chamado japa em Sânscrito. Em seguida, passam 15 minutos praticando. No final eu toco um sininho para anunciar o fim da prática. Pergunto como se sentiram. Não é incomum pessoas perguntarem “já passou os quinze minutos?”. Aí digo, “então sua prática foi boa!”.

Não só na meditação, mas você certamente já experimentou esta sensação de ficar fora do tempo em outras atividades também. É aquilo que chamamos de “flow”, quando estamos tão absortos naquilo que fazemos, que perdemos a noção do tempo.

Pode ser um trabalho, um esporte ou mesmo uma interação pessoal intensa e profunda – a experiência nos preenche completamente, sem noção do tempo. Totalidade na ação.

Podemos ver que estes momentos além do tempo são os melhores de nossa vida. Na explicação do yoga, são os momentos de estarmos vivendo como alma: no aqui e agora e no dharma.

Outra expressão interessante em Sânscrito é nava yauvana – “sempre jovem” ou “sempre novo”.

Se ficar no aqui e agora e focado no dharma é bom, quando vamos ainda mais fundo e acessamos a dimensão de bhakti – de devoção – aí a experiência é ainda mais intensa e distante do tempo.

Repare como as coisas devocionais não cansam, não ficam “velhas”. São sempre novas – nava yauvana.

Por exemplo, eu faço a prática de japa, meditação mântrica. Nesta prática, entoamos o famoso mantra:

Hare Krishna, Hare Krishna / Krishna, Krishna / Hare, Hare / Hare Rama, Hare Rama / Rama, Rama / Hare, Hare

Eu fiz um voto, em meados da década de 90, de entoar o que é chamado de 16 voltas deste mantra todos os dias. Cada “volta” é 108 contas, ou seja, 108 repetições do mantra. Se fizer as contas verá que dá 1728 repetições do mantra, por dia. Ou seja, já entoei este mantra quase que 16 milhões de vezes!

Se você tivesse que repetir uma palavra mundana, como cadeira, carro, ou banana, 1728 vezes por dia, todos os dias, por décadas a fio, você provavelmente enlouqueceria.

No entanto, com um som transcendental, os nomes de Deus, esta repetição é nava yauvana – sempre nova. Não cansa. Pelo contrário, fica melhor com o passar do tempo.

Talvez você já tenha experimentado isso também, com suas orações ou contemplações em Deus. Repare que é algo sempre bom, cada vez mais doce.

Na superfície estamos presos ao tempo. Com a mente na superfície sofremos. Todo sofrimento está ligado ao tempo.  É aquilo que eu chamo do Paradigma da Fantasia. A mente indo para o passado em lamentação. A mente indo para o futuro em antecipação e ansiedade, gerando frustração, raiva e medo.

Podemos efetivamente separar nossa experiência de vida em estar no tempo, ou fora do tempo. Quando estamos fora do tempo, fluindo com a vida, no Paradigma da Realidade, experimentamos bem-estar, paz e alegria. Quando nossa mente se prende na superfície, nos desejos e metas mundanos, ficamos presos ao tempo, sofrendo.

A alma é eterna, primordial e imutável, a Bhagavad-gita explica. A alma, o verdadeiro você, não tem a ver com o tempo. Nosso estado natural é atemporal, como é a natureza da transcendência e de Deus – nava yauvana.

Sempre que começar a perder o brilho da existência, examine se está se prendendo ao tempo. Quando isso acontecer, assuma comando de sua mente e vá fora do tempo, para dentro, focando no aqui e agora, na ação iluminada do dharma e na devoção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *