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Novo Ano, Nova Consciência

Wednesday, December 21st, 2011

por Giridhari Das

Aproxima-se o Ano Novo e com ele naturalmente surgem muitas reflexões. Estou no caminho certo? O que posso fazer para melhorar a vida e ser mais feliz? O que devo mudar? Indo além das mudanças corriqueiras de sempre (cuidar melhor da saúde, parar de fumar, visitar um lugar novo, usar menos o cheque especial…), podemos aproveitar o momento para buscar uma verdadeira e profunda mudança em nossa vida – mudando não só nossos hábitos, mas nossa consciência. Certamente há muitas maneiras de mudar a consciência, algumas até danosas (usando drogas), outras positivas mas ainda superficiais (evitando o estresse ou buscando ser mais ecológico). Mas há uma mudança de consciência definitiva e final – a mudança da consciência materialista para a consciência transcendental.

A cultura da autorrealização em yoga nos convida a fazer esta grande mudança de consciência. Livros como o Bhagavad-gita e o Yoga Sutra descrevem o que é, as razões, as vantagens e o método de adotar tal mudança em nossas vidas. Aproveitando a chegada de mais um ano novo, que tal bebermos um pouco deste elixir da imortalidade?

O Que É

Consciência transcendental difere da consciência materialista em um ponto básico. Na consciência material o propósito da vida é buscar a satisfação dos sentidos, da mente e do corpo. Já na consciência transcendental o objetivo é buscar a satisfação da alma e de Deus, desapegando-se dos sentidos, da mente e do corpo material. Na consciência material observamos que o prazer vem de fora para dentro, através das experiências sensoriais (ou da lembrança das mesmas), e também por mudanças em nossa situação material. Já na consciência transcendental, busca-se a “satisfação no eu”, o mero prazer de ser ou, nos estágios mais elevados, o prazer do amor em comunhão com Deus. A consciência material está sujeita a condições externas, como o estado de nosso corpo, os objetos que possuímos e as pessoas ao nosso redor. Já a consciência transcendental depende apenas da conexão interna com nosso “eu” e com o “Eu” superior.

As Razões

Uma das razões primordiais para buscarmos a consciência transcendental é a compreensão de que não somos o corpo.  O primeiro ensinamento da vida espiritual é esse: você não é o corpo, mas sim um ser eterno transcendente.  Falamos “meu braço”, “minha perna”, “minha cabeça” – mas quem sou “eu”? Os anos se passam e nosso corpo de bebê não mais existe, nosso corpo de criança tampouco, e infelizmente um dia nosso corpo de jovem também irá! Ainda assim continuamos a mesma pessoa. Por não sermos o corpo, somos eternos, não envelhecemos, nem nunca morremos. Por isso a morte é algo tão estranho a experiência de vida.

A outra razão para desenvolver a consciência transcendental é para conhecer Deus, ou, no mínimo, seguir o processo para descobrir se Deus existe ou não. Afinal, como Pascal explicou, é incalculavelmente vantajoso dedicar-se a Deus. Se Deus de fato existir, não se dedicar a conhecê-Lo seria o mais terrível erro da vida humana. E mesmo que Ele não exista, ainda assim não haveria perda, pois a mera consciência que não somos o corpo por si só nos traz crescente paz e bem-estar. Ou seja, se por nenhuma outra razão, devemos optar por viver em consciência transcendental simplesmente porque assim teremos uma qualidade de vida bem superior.  Existem inúmeros testemunhos de que Ele de fato existe e qualquer um que siga o processo e o método por Ele recomendado, experimentará isso pessoalmente.

As Vantagens

Viver em consciência material implica em agir na expectativa de resultados externos.  Nossas ações em consciência material são egocêntricas e são norteadas por três parâmetros:  1) tentamos obter coisas que achamos que nos trarão prazer;  2) tentamos conseguir que outras pessoas ajam de forma a nos trazer prazer, em conformidade com nossos planos;  e 3) tentamos criar situações e ajustes à realidade em nossa volta, as quais consideramos desejáveis. Porém, nos deparamos com uma dura realidade: estamos concorrendo com 7 bilhões de outras pessoas, cada qual com seus respectivos planos, muitas vezes antagônicos aos nossos, e contra o fato gritante de que não somos o controlador supremo. O resultado é ilimitada ansiedade, pois a incerteza dos resultados e as demandas dos ilimitados desejos não nos permitem estar em paz. Independente de termos ou não nossos desejos satisfeitos, vivemos sob o constante medo de cair vítima de alguma desgraça que arruinará todos nossos planos.  Claro que às vezes conseguimos o desejado – uma gota de água no deserto de prazer – mas por quanto tempo isso nos satisfaz? Na prática, um desejo satisfeito apenas nos leva a outros desejos ainda mais intensos. Assim os anos se passam e, ao invés de encontrar satisfação, observamos que nenhum prazer sensorial ou nenhuma situação material preenchem nosso coração. O passar do tempo aumenta nossa ansiedade na medida em que nosso corpo – o centro e objeto de todos nossos esforços e o instrumento essencial de nosso prazer – gradualmente deixa de funcionar. Com a velhice, perdemos a capacidade de obter prazer sensorial, mas não o desejo. Estes se acumulam e queimam em nossa consciência, e a frustração de não mais conseguir satisfazê-los nos traz grande agonia. Junte-se a isto o medo da morte, do desconhecido, do fim vazio de nossa vida vazia, bem como a sensação de tempo perdido e dos esforços e sacrifícios de uma vida levada em vão.

Para o transcendentalista, as conseqüências do tempo, como a doença e a velhice, oferecem crescente oportunidade de cultivar a satisfação no “eu”, de fortalecer seu vínculo com Deus e de cultivar o desapego do corpo. A velhice, na verdade, é uma dádiva da natureza para nos trazer o desapego do corpo, em preparação ao momento crucial de transição chamado de morte.  Para o transcendentalista, o foco é o momento, o agir por dever ou por amor. Neste nível de consciência não há ansiedade, pois o transcendentalista independe da situação externa.  Seja lá o que ocorra, onde quer que se encontre, sua única preocupação é fazer seu dever, dando o melhor de si para a satisfação de Deus. Sua ação se encerra no ato. Não há expectativas, pois ele sabe que nada precisa. Vivendo no “eu”, que é eternamente completo em si mesmo, pleno de bem-aventurança, e ainda indestrutível, o transcendentalista não depende de nada, nem ninguém – nem sequer de seu corpo material – portanto nem mesmo a morte o assusta. Seu desapego e falta de medo não lhe geram apatia, mas sim entusiasmo e felicidade. Ele está sempre pronto para agir para o prazer de Deus, sempre buscando oportunidades para ajudar outros a compartilharem de sua bem-aventurança, não importando em que situação possa se encontrar, não importando se neste corpo atual ou em outro. Ele segue a vida feliz, em consciência jubilosa, pronto para qualquer situação, vivendo um dia de cada vez, um momento de cada vez.

O Método

Claro que não se atinge este estado de consciência transcendental da noite para o dia, nem tampouco apenas por ler um pequeno ensaio. Mas existe um método que nos leva a desenvolver gradualmente esta consciência transcendental, suplantando nossa consciência material.  Este método é tradicionalmente chamado de “yoga” e no Movimento Hare Krishna é chamado de “consciência de Krishna”. Existem três atividades chaves que levam ao aumento da consciência transcendental e ao afastamento da consciência material: meditação mântrica (chamada de japa em Sânscrito), estudo dos livros transcendentais (escrituras milenares do yoga e outros textos afins) e comer prasadam (alimentos lacto-vegetarianos santificados). As demais mudanças de padrões de pensamento e comportamento surgem como resultado destas práticas diárias. É uma técnica poderosa, milenar, já comprovada ao redor do mundo e seguida por pessoas de todo tipo e perfil imagináveis.

Para ajudar as pessoas a se situarem neste caminho, eu criei uma descrição simples do processo. Como são três pontos chaves, ou “3 da transcendência”, dei o nome ao processo de “Método 3T”. O método é simples, requer inicialmente apenas 30 minutos de seu dia e gradualmente traz resultados incríveis nos moldes do que foi explicado acima. Interessados em receber o Método 3T e aconselhamento pessoal gratuitamente, podem entrar em contato comigo.

Concluindo, vamos aproveitar esta energia coletiva de mudança que surge na virada do ano para fazer a mudança mais importante e impactante possível – a mudança em nossa consciência – saindo gradualmente da consciência danosa material para a consciência bem-aventurada transcendental e com isso garantir um verdadeiro “Feliz Ano Novo”!

Relato do Movimento Pela Vida 2010

Sunday, August 15th, 2010

O Movimento Pela Vida busca oferecer um evento “transcultural”, com um equilíbrio de ciência, arte e espiritualidade. Como em outros anos, esta 11º edição ocorreu na pequena cidade de Taquaruçu (TO), que fica próximo de Palmas. O evento terminou hoje, tendo acontecido de 13 a 15 de agosto.

Desde 2007 tenho recebido convites para participar do evento. Não pude vir ano passado, mas deu para vir esse ano novamente. É uma bela oportunidade para compartilhar o caminho da consciência de Krishna, num local desprovido de vaishnavas. No evento é normal encontrar pessoas que nunca cantaram o mantra Hare Krishna, ou mesmo que nunca ouviram falar dele! Campo aberto para tentar satisfazer Srila Prabhupada num pioneirismo transcendental!

Este ano fui o primeiro a “dar as benções” ao evento. Todos os representantes das diferentes religiões o fazem na abertura, mas me chamaram primeiro esse ano.

Melhor ainda, combinei com os organizadores para fechar a abertura com um kirtan. Vim sozinho, portanto convidei uma senhora da linha xaman, de nome Yatamala, para tocar seu tambor xamânico comigo! Nem um “kartalinho” para ajudar! Mas deu certo pela graça dos Santos Nomes. No final a platéia de uns 150 estavam dançando em corrente e cantando alto o maha-mantra Hare Krishna!

No sábado tive dois eventos. O primeiro foi uma palestra, “Karma, o que é e como se livrar dele”. A salinha lotou e pudemos falar longamente sobre a situação da alma no mundo material e as técnicas de karma-yoga, jnana-yoga e bhakti-yoga para liberar a alma de seu enredamento. No MVP é tudo muito simples, fazendo uso de um colégio estadual. A platéia é super diversa. Vai de jovens locais a buscadores de Porto Alegre e Alto Paraíso.

O segundo evento foi um kirtan de uma hora, numa sala perto de onde aconteciam “terapias” de diversos tipos (quântica, reiki, apometria, etc.). Foi super doce também poder ficar uma hora em kirtan, com diferentes pessoas entrando fundo no cantar dos santos nomes. Nesse kirtan nem tambor xamânico! Só o harmônio mesmo.

No dia seguinte realizei uma “Oficina de Mantras”. A turma encheu a salinha novamente e passamos 90 minutos falando de importantes mantras de nossa tradição e cantando! Foi muito inspirador. No início perguntei para os cerca de 18 participantes se alguém já ouvirá falar da palavra “kirtan”… ninguém! Todos foram “iniciados” no kirtan dos santos nomes e parece que gostaram muito!

Para todos os programas eu arrastava uma mala cheia de livros, CDs e japas. Pude vender vários desses itens transcendentais pela graça do Senhor.

Um dos pontos altos de ficar em Taquaruçu é meu lugar de praticar japa (meditação mântrica) de manhãzinha – uma pedra (Pedra Pedro Paulo), suspensa em cima do belo vale onde se encontra Taquaruçu. Fotos acima. Vale a pena a dura subida de 15 minutos para passar uma hora lá em contemplação dos santos nomes, vendo o sol subir e iluminar o vale e a cidadezinha.

Seu amigo,

Giridhari Das

Relato do JIVA 2010

Wednesday, August 4th, 2010

Durante os dias 24-31 de julho foi realizado o JIVA 2010 no Paraíso dos Pândavas, nossa reserva ambiental e ashram de bhakti-yoga na Chapada dos Veadeiros - GO.

Um dos pontos altos do JIVA é a associação com devotos (sat-sanga). Uma semana com pessoas maravilhosas, igualmente interessadas em sua vida espiritual, em conhecer e servir Krishna seriamente. Tivemos pessoas vindo de longe, de Aracajú, Fortaleza, Rio de Janeiro, Florianópolis e Erechim! Todas elas focadas em consciência de Krishna, sinceras e muito amorosas.

O JIVA oferece uma programação intensa e profunda de estudos da consciência de Krishna. Clique aqui para conferir as matérias estudadas.

Eu e minha esposa, Carana Renu Dasi, ministramos as aulas e oficinas.

Em geral eu cuido da parte filosófica/teórica e ela das oficinas práticas. Por exemplo, aqui vemos ela ensinando como colocar tilak e um pouco sobre os instrumentos vaishnavas.

Uma das matérias que mais suscita atenção é “Adoração das Deidades”, onde ensinamos como montar seu altar em casa, como fazer um aratik (oferenda), etc. Aqui uma das participantes mostra-se feliz com sua primeira “mecha” feita na oficina de adoração.

Tivemos também a boa fortuna de ter a Govindaji Dasi (DVS) nos preparando refeições vegetarianas deliciosas, com vários ingredientes vindo de nossa horta orgânica e outros de nossos vizinhos.

Outro ponto importante do JIVA é a oportunidade que os participantes têm de passar uma semana vivendo num ambiente devocional, com dois aratiks por dia e tempo para as 16 voltas diárias de “japa”. Todos absorveram o espírito de seva, serviço espiritual, ajudando em diferentes tarefas diárias.

Apesar da agenda intensa de estudos, incluímos duas belas caminhadas com banho de cachoeira e rio na programação. Um contato com Deus na natureza.

Veja aqui mais fotos do evento: http://picasaweb.google.com/giridhari.hdg/JIVA2010!

Veja também aqui um vídeo do testemunho dos participantes do JIVA 2010: http://www.pandavas.org.br/pag_comp/retiros/jiva.htm.

O que é Hinduísmo?

Thursday, March 19th, 2009

por Giridhari Das

A definição técnica e jurídica do termo Hinduísmo foi dada pela Suprema Corte da Índia, que definiu hindu como sendo aquele que aceita os Vedas como sua escritura.

Os Vedas são um vasto corpo de literatura, onde destaque-se as quatro escrituras (samhitas) Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas, os Puranas (cujo principal é o Srimad Bhagavatam), o Mahabharata (do qual o Bhagavad-gita é a seção mais importante), Vedanta-sutra e Upanishads (do qual o Sri Isopanisad é um dos mais importantes). As quatro samhitas básicas não são práticas para nós, pois descrevem atividades que não podem ser realizadas nessa era (de acordo com os próprios Vedas). Basicamente esses textos descrevem elaborados sacrifícios e seus respectivos mantras para obtenção de ganhos materiais e promoção a planetas superiores dentro do universo material. Tecnicamente esse tipo de prática é chamada de karma-kanda. Porém, os Vedas nos ensinam que além de karma-kanda existem os processos de yoga (jnana, astanga e bhakti) que nos proporcionam resultados muito mais importantes que a mera religião materialista ou atividade piedosa.

Estamos habituados a entender o termo yoga como sendo algum tipo de exercício físico. Mas, na verdade, a palavra significa “ligar, conectar”. E também é usada para descrever um processo, uma ciência. Portanto, essas diferentes práticas de yoga são, na verdade, diferentes processos de se re-conectar (religar - religare - religião) com Deus.

O Srimad Bhagavatam (1.2.11) explica que Deus pode ser visto de três maneiras distintas: 1) Brahman: Seu aspecto impessoal, todo penetrante, energia cósmica, luz divina; 2) Paramatama: Seu aspecto localizado dentro de todo ser vivo; e 3) Bhagavan: Seu aspecto pessoal supremo.

Simplificando bastante, pode-se entender que jnana-yoga é o processo de obter Brahman, astanga-yoga é o processo de obter Paramatma e bhakti-yoga é o processo de se obter Bhagavan, a Suprema Personalidade de Deus.

E, de todos as práticas de yoga, Krishna (um nome de Deus que significa o todo-atraente) explica no Bhagavad-gita, no verso 6.47, que a prática superior é bhakti-yoga (consciência de Krishna). A conclusão é que a essência de todo o conhecimento védico é a pura consciência de Krishna - essa declaração se encontra no Bhagavad-gita, onde Deus, Krishna, diz: “Através de todos os Vedas, é a Mim que se deve conhecer. Na verdade, sou o compilador do Vedanta e sou aquele que conhece os Vedas” (15.15). Explico melhor esse processo de bhakti-yoga, ou consciência de Krishna, no livro Ciência Espiritual - Visão Geral e Prática. No ocidente essa prática, também denominada de Vaishnavismo, foi introduzida e continua sendo largamente difundida pelos seguidores da cultura Hare Krishna.

Para entendermos o atual uso do termo “hinduísmo” devemos analisar sua história, dividindo-o em três principais períodos.

O primeiro, que podemos chamar de antigo ou védico, é marcado pela total inexistência do termo. Hindu ou hinduísmo simplesmente não existiam na antiguidade e nunca foram usados em qualquer escritura. Esse termo foi criado pelos invasores do que hoje chamamos de Índia. Quando Alexandre, o Grande, invadiu a Índia em 325 a.C. ele cruzou o rio Sindhu, que fica onde hoje é o Paquistão, e o chamou de Indus, por ser mais fácil de pronunciar em grego. Em grego o “h” é silencioso como ainda vemos hoje em palavras como homo, herói e nomes como Helena, Hércules, Heitor, etc. Assim, as terras ao leste desse rio ficaram conhecidas como “Índia”. Muitos séculos depois, os invasores muçulmanos chamaram o rio de Hindu, pois tinham dificuldade de pronunciar Sindhu e as terras ao leste do rio ficaram chamadas então de “Hindustan”.

O segundo período, marcado pela presença já consumada de invasores muçulmanos na Índia, dura do século quatorze ao século dezenove. Nessa época, o termo era usado pelos seguidores dos Vedas apenas quando os mesmos se dirigiam aos muçulmanos. Entre eles, o termo não era usado. Ou seja, como os invasores rotularam todos os habitantes nativos de “hindus”, os mesmos usavam o termo para fins práticos. Mas, como entre eles o termo não havia verdadeiro sentido, não havia outro uso do termo. Isso está muito bem documentado e preservado na literatura medieval da Índia, em livros como o Caitanya Bhagavata.

Em sânscrito encontramos dois termos que descrevem esse tipo de comportamento: paramartika e vyavaharika. Paramartika é a linguagem para descrever o sentido último das coisas, uma linguagem filosófica e profunda. Vyavaharika é a linguagem comum, para assuntos do dia a dia. Por exemplo, ao abrir uma conta no banco, temos que preencher um cadastro. Eles lhe perguntam seu nome, data e local de nascimento, etc. Se respondermos que não temos local e data de nascimento porque somos seres espirituais eternos, em pouco tempo estaremos sendo conduzidos para fora do banco pelos seguranças. Temos que usar uma linguagem prática - vyavaharika. E, por outro lado, se estamos tentando compreender assuntos filosóficos, metafísicos e espirituais mas apenas nos identificamos com nossas designações externas, então novamente não teremos muito sucesso. Nessa situação teríamos que usar uma linguagem profunda - paramartika. Então, o que vemos nesse segundo período é o uso de “hindu” no sentido vyavaharika, mas não paramartika. Ou seja, nenhum seguidor dos Vedas considerava que isso era um termo que realmente o identificava em termos espirituais ou filosoficamente profundos. Era apenas uma designação externa que era prática de se usar em certas circunstâncias.

Devemos entender que a cultura védica é muito liberal e não sectária. Sempre foi assim. No Vedas, encontramos o seguinte verso:

“A suprema ocupação [dharma] para toda a humanidade é aquela pela qual os homens possam atingir o serviço devo­cional amoroso ao Senhor transcendental. Este serviço devocional tem que ser desinteressado e ininterrupto para satisfazer o eu completamente” (Srimad Bhagavatam, 1.2.6).

Aqui, não se fala que tem que se adorar uma forma específica do Senhor ou seguir uma doutrina e não outra. A questão é técnica, cientifica. É algo onde se compreende que o importante é o conhecimento (veda significa conhecimento em sânscrito) e que esse conhecimento explica que existem diferentes caminhos para diferentes pessoas - com diferentes resultados. Então, o que se via eram diferentes grupos seguindo diferentes caminhos, mas com a compreensão correta do que cada um estava buscando. Um exemplo grosseiro para melhor entender o ponto pode ser visto em um restaurante. Lá, todos estão com o mesmo cardápio, mas diferentes pessoas pedem diferentes pratos de acordo com seu gosto. Mas todos entendem que estão fazendo a mesma coisa, comendo, e todos reconhecem o cardápio como sendo um só. O ponto aqui é entender que não fazia parte da cultura védica o tipo de violento sectarismo que sempre fez parte das culturas religiosas do Oriente Médio e a concomitante necessidade de rotular as pessoas de acordo com suas crenças. Portanto, com raríssimas exceções, não se vê na história da civilização védica (apesar de ser a mais antiga da Terra ainda existente) conflitos violentos entre pessoas de diferentes compreensões espirituais. É apenas no período moderno que uma certa classe de pessoas mais ignorantes adotaram esse tipo de comportamento sectário, após séculos de domínio sob invasores altamente sectários.

O último período, que podemos chamar de moderno, começa no século dezenove e é marcado pelo uso do termo como é visto hoje. Nesse período moderno os seguidores dos Vedas se auto-rotulam como hindus e sua religião como sendo hinduísmo. Além disso, o termo “hindu” ainda foi adotado para simplesmente indicar alguém que nasceu na região, independente de sua fé ou filosofia de vida.

Durante o domínio Inglês, os políticos usavam o termo “hindu” ou “hinduísmo” de forma pejorativa, para acirrar a distinção entre muçulmanos e a população que seguia suas tradições antigas. Isso fazia parte da política inglesa de “dividir e dominar”. Escritores ocidentais adotaram o termo por ser conveniente e os demais foram influenciados por eles.

Devemos recordar que os ingleses adotaram uma política extremamente agressiva contra a cultura védica. Era a expressa e documentada missão dos ingleses fazer com que os seguidores dos Vedas abandonassem suas práticas e cultura e adotassem o cristianismo e a cultura deles. Com a chegada da modernidade, com trens e telégrafos, a difusão do conhecimento aumentou enormemente. Isso estava sendo usado pelos ingleses para acelerar seu objetivo. Sentindo-se ameaçados, um grupo de pessoas, liderados por Vivekananda e pelo Doutor Radhakrishna, iniciaram um movimento para unir os seguidores dos Vedas. Eles pensavam que, para resistir a esse maciço ataque cultural, precisavam defender uma única filosofia, uma única bandeira.

Como foi explicado anteriormente, na cultura védica existe uma enorme variedade de crenças, que incluem crenças panteístas de religião materialista, sistemas de filosofia impersonalistas, processos de misticismo e filosofias completamente teístas. Temendo que isso os estava enfraquecendo, essas pessoas, em especial Vivekananda, acharam por bem escolher um dos caminhos e dizer que isso era hinduísmo. Ele escolheu a filosofia impersonalista de Shankaracarya (um tipo de prática de jnana-yoga). Devido a sua influência, a rápida difusão de conhecimento da era moderna e a falta de correta e filosófica compreensão dos Vedas da população em geral, essa decisão logo se concretizou. Hoje, em livros sobre hinduísmo, em cursos universitários e na visão geral daqueles que se denominam de hindus, essa é a compreensão da cultura védica. Não só foi escolhida a filosofia de Shankaracarya, mas, o que é pior, uma versão popular e bastante frouxa de sua filosofia. Acadêmicos reconhecem que Vivekananda tinha pouco conhecimento sobre os Vedas, o que pode ser verificado ao ler as transcrições de suas palestras. Um exemplo disso é visto na sua palestra no final do século dezenove numa conferencia mundial de religiões em Chicago, onde ele disse que o conceito de pecado não existia no Hinduísmo, apesar de termo ser absolutamente comum em toda literatura védica, inclusive a principal, o Bhagavad-gita. Na verdade ele era uma espécie de político.

Essa decisão, do ponto de vista filosófico e espiritual, foi desastrosa por ignorar completamente a riquíssima amplitude da verdadeira cultura védica, em especial a elevada filosofia e cultura monoteísta Vaishnava (bhakti-yoga). Até mesmo do ponto de vista estritamente numérico é falha, pois pesquisas mostram que 60% dos hindus acreditam num Deus pessoal.

Portanto, uma compreensão mais profunda e verdadeira sobre o Hinduísmo teria que levar em consideração essas diferentes práticas e caminhos espirituais descritos nos Vedas. Interessante notar que existe uma diferença muito maior em termos filosóficos e práticos entre esses diferentes caminhos védicos do que entre judaísmo, cristianismo e islamismo. Isso mostra como é inadequado querer aglomerar todos sob um único termo. Felizmente, está havendo uma mudança nessa errônea compreensão e a verdadeira riqueza espiritual dos Vedas está sendo conhecida por cada vez mais pessoas.

Quem é Krishna?

Thursday, March 19th, 2009

Krishna é um dos principais nomes de Deus e significa “o todo atraente”. Nos Vedas encontramos muitos e muitos nomes para Deus, pois para cada qualidade, podemos ter um nome. Como Deus tem qualidades ilimitadas, tecnicamente Ele tem ilimitados nomes. Porém, o nome Krishna tem uma conotação muito especial, pois refere-se ao aspecto mais atraente, íntimo e completo de Deus.

Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, a Verdade Absoluta, a fonte de tudo e a causa de todas as causas. Nas escrituras, especialmente o Srimad Bhagavatam, existem explicações detalhadas de Sua morada, Sua aparência, Seus passatempos, Suas expansões, Suas energias, etc. Ele é dotado de seis opulências, todas ao grau infinito: beleza, força, sabedoria, riqueza, fama e renúncia. Ele sabe tudo que aconteceu, tudo que está acontecendo e tudo que vai acontecer. Ele é infinitamente misericordioso. Ele é o beneficiário de todos os sacrifícios e austeridades, o Senhor Supremo de todos os planetas e semideuses e o benfeitor e bem-querente de todas as entidades vivas.

Para conhecer em maior detalhe sobre Sua última vinda a Terra, cerca de 5200 anos atrás, leia o livro “Krsna, A Suprema Personalidade de Deus”* ou escute-o, de graça, em MP3, aqui.

Para conhecer Seus principais ensinamentos, leia o Bhagavad-gita*.

*Disponível aqui.

O que é autorrealização em Yoga?

Thursday, March 19th, 2009

Autorrealização em Yoga, ou consciência de Krishna, é um caminho holístico, que corretamente seguido traz crescente bem-aventurança e iluminação, rumo ao desenvolvimento de amor puro por Deus.

O caminho segue em três vertentes principais: conhecimento, comportamento e devoção. Para ter sucesso no caminho é necessário que o praticante desenvolva as três vertentes, todos os dias, integrando-as, na medida do possível, em sua forma de viver. O resultado, em termos de elevação da consciência e subseqüente aumento na qualidade de vida e felicidade perene, depende do grau de intensidade com a qual fazemos isso.

Aqui está um quadro que nos dá um esboço dessas três vertentes, valores e conceitos básicos de cada, algumas das práticas principais de cada e dicas. Isso é só uma introdução. O praticante deve ter um guia, um “consultor” espiritual, que explique os detalhes pessoalmente, tire suas dúvidas, lhe mostre onde conseguir mais informações, etc.

Conhecimento

Valores e Conceitos Iluminação, auto-conhecimento, compreensão acerca do sentido da vida, compreensão acerca do Universo, da alma, de Deus, do mundo espiritual, do funcionamento da consciência, compreender todos os fenômenos da Realidade.
Práticas Estudo diário dos livros da consciência de Krishna. Ler e ouvir sobre a vida espiritual, a natureza da realidade e o comportamento piedoso dos textos sagrados da cultura milenar do yoga, da cultura védica.

*Como ponto de partida, peça o livro “Ciência Espiritual” que contém um resumo da filosofia da consciência de Krishna.

Dicas Estude os livros do grande santo do Século XX, Swami Prabhupada, que perfeitamente transplantou o conhecimento milenar do yoga e consciência de Krishna para o ocidente, sem distorções. Em especial estude “O Bhagavad-gita Como Ele É”, o “Srimad Bhagavatam” e o “Sri Caitanya Caritamrta”.

Estude outros livros da tradição, como o “Yoga Sutra” de Patanjali.

Dedique ao menos 15 minutos por dia para os estudos no início, para depois chegar num mínimo de 30 minutos diários.

Alguns desses livros existem em áudio MP3 - faça uso deles, aproveitando seu tempo no trânsito, na hora do exercício, etc.

Comportamento

Valores e Conceitos Não-violência, limpeza, veracidade, firmeza, paz, autocontrole, equanimidade, castidade, compaixão, desapego, honestidade, humildade, tolerância
Práticas Buscar o comportamento piedoso e viver uma vida pura. Buscar alinhar seu livre arbítrio com a vontade divina. Estar ciente do efeito de seus pensamentos, palavras e atos.
Dicas Gradualmente busque se estabelecer nesses ideais:

1. Siga uma dieta vegetariana sem ovos, buscando alimentos integrais e orgânicos.

2. Tire de sua vida os venenos do álcool, cigarro, drogas, etc.

3. Viva num ambiente limpo, mantenha o corpo limpo e use roupas limpas.

4. Busque o contato com a natureza.

5. Busque manter o corpo saudável.

Questione seus motivos, recusando seus impulsos quando são egoístas e mesquinhos.

Esforça-se sempre para maximizar o bem e minimizar o mal em tudo que pensa, fala e faz.

Devoção

Valores e Conceitos Serviço, amor, entrega, dedicação, abrigo.
Práticas 1.      Meditação mântrica (japa)*

2.      Comer prasadam*

3.      Oração

4.      Lembrar

5.      Servir

6.      Aratik (adoração em altar)*

7.      Bhajan*

*Veja o “Manual de Bhakti-yoga”, contido no livro “Ciência Espiritual” para aprender os detalhes dessas práticas acima citadas.

Dicas Tente viver em um estado de devoção, vendo como fazer de seu trabalho e família uma oferenda ao Senhor.

Insira no seu dia, sem falta, momentos dedicados às práticas devocionais acima citadas.

Comece com um mínimo de 15 minutos de japa, que equivale a 2 ou 3 voltas por dia.

Almeje ter um mínimo de 90 minutos por dia para tais práticas (não incluindo prasadam) -  todos os dias, sem falta.

Os primeiros horários do dia são ideais, mas qualquer horário é bom.

Nunca pense, “ah, isso eu não posso fazer, então esse caminho não é para mim”. O que nos é passado são metas para um progresso firme na vida espiritual. Se conseguirmos apenas seguir 1% do que é recomendado, ótimo - melhor do que 0%. Se conseguir 10%, melhor ainda. E, é claro, se conseguir 100% depois de algum tempo, perfeito. Por exemplo, uma das metas do aspecto de comportamento é o cultivo de não-violência, o que, entre outras coisas, implica em seguir uma dieta vegetariana. Ninguém deve pensar que, “ah, não tem jeito, eu não dou conta de ser vegetariano, portanto vou desistir do caminho”. Pode ir aos poucos. Cortar a carne vermelha primeiro, a mais danosa do ponto de vista de saúde pessoal, saúde planetária e fechamento da consciência. Depois porco. Uns tempos depois, frango. E assim por diante, até cortar com o ovo. Eu levei quase um ano nesse processo. Mas conheço pessoas que fizeram da noite para o dia. Outros levam cinco anos ou mais. Cada um tem seu ritmo, suas circunstâncias específicas.

O ponto é não se assustar e desistir das metas, nem tampouco se acomodar e não se esforçar rumo à transformação. O caminho do yoga é descrito no Yoga Sutra como tendo que ser, “nem duro demais, nem confortável demais”. O resultado de se esforçar nessas práticas será sublime, experimente!

Ciência Espiritual

Tuesday, March 17th, 2009

Ciência Espiritual - Introdução à Sabedoria do Yoga

Este livro apresenta um resumo prático da sabedoria do yoga e sua visão da realidade, que funciona como um mapa para guiarmos nossa vida. O livro inclui também o Manual de Bhakti-yoga, que demonstra e explica os procedimentos básicos desta prática espiritual milenar.

O livro é muito útil para aqueles que estão iniciando sua jornada na senda da espiritualidade ou auto-realização em yoga.

- 12,8 x 18,8cm, 131 pp

Clique aqui para encomendar o seu!

Bem-vindo ao Giridhari.com.br!

Tuesday, March 17th, 2009

Bem-vindo ao site Giridhari.com.br.

Meu nome é Giridhari Das e meu objetivo é lhe fornecer um canal para conhecer mais a fundo a auto-realização em yoga, a consciência de Krishna e a cultura Krishna ou cultura Védica.

Através deste site poderá conhecer as palestras e workshops que ministro, como também meus livros publicados.