Raiva de Justiceiro

Você está sempre ficando com raiva? Você fica com raiva porque quer punir os outros por terem errado? Você está sentindo um senso irresistível de justiça e sente que cabe a você fazer do mundo um lugar melhor, corrigindo os erros dos outros? Talvez seja hora de reconsiderar seu papel no mundo e as táticas para uma vida melhor, ou mesmo um mundo melhor.

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

Da próxima vez que você ficar com raiva, pare e reflita sobre o que está por trás disso. Você está ficando com raiva porque o mundo é injusto? Alguém precisa ser corrigido? Alguém não se comportou como você pensa que “eles deveriam”?

A raiva no trânsito é um ótimo exemplo. Você leva uma fechada e fica zangado. Foi o ato em si? Apenas ter que desacelerar um pouco, ou se desviar? Provavelmente não. Dirigir é ajustar a velocidade e a posição do carro. Então, o que realmente te deixou com raiva? A injustiça disso! O “crime” cometido pelo motorista, que, em milissegundos, você julgou como sendo uma ameaça para os outros condutores, um incompetente e irresponsável. E num piscar de olhos, sua amígdala cerebral assume o controle, seu córtex está desligando. Você não está mais no controle. Você não é mais um ser humano sadio. Você é agora uma fera enviada para punir o infrator. Você gesticula, grita e, em alguns casos, até parte para violência. Você acha que está fazendo o certo, mas basicamente se faz de bobo, colocando a si mesmo e aos outros em perigo. E ainda por cima, não resolveu nada.

O mesmo vale para um chefe mal-comportado, alguém tomando seu lugar de estacionamento ou seu filho sendo indisciplinado. Não é o ato em si. É a necessidade de corrigir o mundo. É um grito de justiça!

Raiva, no entanto, nunca é a solução. Quando você está com raiva, você fica burro. É você em suas piores condições operacionais. Agir com raiva é bestial e os resultados podem ser francamente catastróficos. Mesmo se realmente lhe cabe corrigir o comportamento desviante, fazê-lo com raiva nunca é o caminho aconselhável. Mesmo para aquele cuja profissão envolve violência e/ou punição— como soldados, juízes, atletas de artes marciais e policiais—não se pode agir com raiva. Mesmo que o seu dever, seu dharma, envolva nocautear ou mesmo matar alguém, esta tarefa deve ser feita com a cabeça fria, em pleno controle de seus sentidos. Nunca com raiva.

Existem leis, policiais, tribunais e regras internas em empresas, escolas, clubes, academias, etc. Há pessoas cujo trabalho é corrigir, repreender e educar os contraventores. Deixe-os cuidar disso. E, de qualquer forma, existe a lei do karma (veja esta playlist no meu canal para entender melhor a Lei do Carma) e também a presença e vontade de Deus. Portanto, não há necessidade de você agir como juiz, jurado e punidor nas ruas, estacionamentos, escritórios ou em casa.

Então, trabalhe este senso de justiça. Não tente reduzir a raiva que resulta disso, porque será tarde demais no momento em que ela explodir. Em vez disso, corte essa fonte de raiva na raiz. Redirecione seu senso de justiça, de flashes inúteis de raiva para a ação inteligente e iluminada. Justiça é necessária. Justiça é divina. Mas também é misericórdia, paz e bondade. Faça da sua casa um lugar melhor com educação e paciência. Torne o escritório um lugar melhor com cooperação e amizade mútua. Tornar o mundo um lugar melhor, primeiro, sendo a melhor pessoa que você pode ser, e em segundo lugar, vendo como influenciar a cena política e empurrá-lo para uma sociedade com maior respeito, igualdade e oportunidade. Há muito o que você pode fazer. E ficar com raiva só fará o mundo ficar pior e a sua vida mais miserável.

Entenda mais sobre como funciona sua mente e o poder enorme que o caminho do yoga lhe dá para alterar a maneira como vive e como experimenta a vida no livro “O Caminho 3T” (www.3T.org.br).

 

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