Qual é a Sua História? Nossas Crenças Culturais Estão Nos Deixando Miseráveis

Vivemos a vida sem perceber o tremendo impacto que as crenças culturais têm em nossa vida, muitas vezes um impacto negativo, bastante danoso. Aqui vamos falar sobre o poder que temos de mudar nossa história, literalmente reinterpretar como nos enxergamos, e saber descartar os valores falsos que foram inculcados em nós pela sociedade, e que estão nos deixando miseráveis.

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

É muito importante entender que somos personagens numa história. Poucos estão atentos a isso, ou percebem este poder que tem.

O termo usado na psicologia é “intérprete interno”. É uma função de nossa mente que interpreta os acontecimentos da vida e cria uma narrativa para juntar tudo, para fazer sentido do que está vivendo.

Todos nós fazemos isso. Mas poucos analisam essa história. Deixamos de perceber como estamos engolindo as crenças culturais de nossa sociedade. Poucos param para pensar na realidade dessas crenças culturais. Poucos percebem como algumas são bem destrutivas.

E menos ainda aprendem o poder de mudar essa história. Grave isso: você pode mudar sua história.

O que podemos perceber é que existe enorme sofrimento, levando até o suicídio, de pessoas que não conseguem criar sua história dentro das crenças culturais, ou seja, pessoas que se sentem fracassadas porque não atendem aos falsos objetivos impostos pela sociedade.

Mas o problema não é você. O problema está nos falsos objetivos, nas crenças culturais danosas e, francamente, mentirosas, que você aceitou e incorporou.

Vamos levar em conta um exemplo de crença cultural: os padrões de beleza.

Poucos sabem que nossos padrões de beleza vêm lá da Grécia, de mais de 2000 anos atrás. Já viu aquelas estátuas gregas antigas? Os homens todos “rasgados”, definidos, magros. Povo com 5% de gordura corporal. As mulheres também, todas com lindas curvas, longos cabelos ondulados. Todo mundo com caras bonitas, nariz bonito.

Isso faz parte até hoje de nossa cultura. Herdamos o conceito. Então, dá-se como certo que o bom, o desejável, é ser assim também.

Nem Jesus escapou. Já parou para perceber como são as estátuas de Jesus? Todo sarado, músculos lindos, zero gordura, esbelta, nariz fino e cabelos ondulados. Chegaram ao absurdo, mais tarde, de fazê-lo loiro e de olhos azuis também para aprimorar mais ainda a visão Europeia da estética perfeita. Depois pesquise na Internet um trabalho feito por cientistas para tentarem criar a verdadeira imagem de Jesus.

Agora, voltando a nossa história. Crescemos com esta crença cultural, vindo lá da Grécia. E aí queremos ajustar nossa história ao padrão de beleza imposto. Resultado: incontável sofrimento.

Claro que agora com Instagram a coisa ficou ainda pior. Desespero total. Nosso intérprete interno não dá conta de ajustar nossa posição na história. Não conseguimos sair como heróis na nossa história e, com isso, nos sentimos um fracasso. Acaba nossa autoestima. A vida fica confusa e sem sentido, porque não tem uma narrativa aceitável.

A única narrativa é que somos preguiçosos, ruins, fracassados. E viver com uma narrativa dessas, não dá.

Isso foi só um exemplo. Temos outras crenças culturais destrutivas.

Uma das mais danosas crenças culturais é a ideia de sucesso. Criamos o falso e impossível conceito que sucesso é dinheiro e fama. Imagine que armadilha letal para a sociedade! Algo que, por definição, apenas alguns poucos podem ter, menos de 1%, como sendo o padrão para todos. Ser famoso então é menos de 0,00001% de chance!

Pesquisas mostram que 75% dos jovens colocam como prioridade na vida ser rico e famoso.

Isso leva a incontável ansiedade, baixa autoestima, depressão e até suicídio. 75% querendo algo que só 1% pode ter, ou, pior ainda no caso de fama, 0,00001%, obviamente é uma receita para desastre.

Sem dizer que toda a questão de ser rico é um jogo altamente manipulado, favorecendo quem já nasce rico.

Então, imagine o pobre intérprete interno, tendo que lidar com esses elementos ao criar sua história? Impossível. A única narrativa que se encaixa é que a pessoa é um fracasso, burro, preguiçoso, sem sorte e miserável. Uma pessoa que não presta.

Agora vamos a solução poderosa.

Não precisa mudar você. Mude os objetivos! Descarte esses podres objetivos. Jogue para longe este conceito de sucesso, estas crenças culturais danosas. Jogue para longe a ideia de perfeição – isso não existe!

Abrace os verdadeiros objetivos da vida. Os objetivos internos. Os valores da vida. Seus dharmas.

Reescreva sua história, mudando o cenário. Agora faça sua jornada não na busca de coisas externas e inúteis, que mesmo que atingidas, nada de felicidade duradoura traem. Agora busque os valores nobres de honestidade, responsabilidade, compaixão, solidariedade, integridade e paz. Busque a espiritualidade, o encontro consigo mesmo e com Deus. Busque autoperdão e amor-próprio.

Para mudar sua cultura, mude sua influência cultural. Afaste-se das contas de pessoas fingindo ser bonitas e ricas nas mídias sociais. Afaste-se de pessoas que cultivam estes objetivos falsos.

Por isso o yoga e na espiritualidade em geral fala tanto da importância de associação: diga-me com quem andas e eu te direi quem és. Mudando sua associação, você pode absorver estes valores intrínsecos.  Sua cultura é fortemente influenciada pelas pessoas diante de você.

Aproveito aqui para lhe convidar a conhecer a mídia social que criei para pessoas nesta busca, o SanghApp – www.sanghapp.com.br. Lá o foco são estes valores intrínsecos, a busca por ser hoje a melhor pessoa que você pode. Não tem alguns dias que uma aluna me passou um depoimento dizendo que o SanghApp mudou sua vida.

Seja um herói nesta história do bem. Seja você na busca de ser cada vez mais verdadeiro consigo mesmo, ser um ponto de luz no mundo, focado nos seus dharmas. Essa história sim, é linda e é para todos.

3 ideias sobre “Qual é a Sua História? Nossas Crenças Culturais Estão Nos Deixando Miseráveis

  • 06/10/2020 às 20:29
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    Mestre Giridhari, muita gratidão por tudo que compartilha. Sinto que ao mesmo tempo que há o despertar para a realidade, saindo das fantasias, há também o aumento das responsabilidades pessoais. E como foi citado , mudando a narrativa interna, conseguimos mudar nossa realidade , inclusive percebendo as influências externas e sociais, com os diversos papéis que temos que representar culturalmente. Essas reflexões nos auxiliam a conduzir a vida, a nossa história, de uma maneira diferente, onde a base vem de nossos avanços internos. Sabemos também que esta consciência não é apresentada facilmente , é o resultado de muito empenho e dedicação, mas uma vez iniciada , não há porquê voltar atrás. Grata.

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  • 07/10/2020 às 18:35
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    Fui um ” Vainava” no templo na rua thomas flores em Porto Alegre- RS. Mas fechou, tenho quase 57 anis e gostaria de viver i cotidiano de um templo. Voltar a realmente ser um devoto ouro, mas moro em Santa Maria-RS, e aqui não tem templo.Como faço para retornar ao cotidiano de um templo? Sim, viver e trabalhar em um templo. Tenho muitos requisitos para tal e Prabhu Setucara Das é meu amigo embora há.muito tempo nâo o veja. Na época ele iria para a INDIA. Bem, qual templo ou fazenda me aceitaria? Aguardo, pois sou livre e desapegado tendo cumprido minhas atividades como Homem e Pai. Aguardo sua resposta. Todas as glórias a nosso guru SHILA PRABUPHADA, HARE KRISNA Prabhu.

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    • 10/10/2020 às 10:02
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      Eu não tenho conexão mais com a instituição da ISKCON, então não posso lhe dizer. Sugiro que busque na internet os diferentes templos e pergunte direto para eles.

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