Papo Reto Sobre Gurus

O que é um guru? Como escolher um guru? O que quer dizer “seguir um guru”? Aqui vamos falar de forma simples e direta sobre as distorções e fantasias em relação aos gurus e como entender a aplicar este conceito de guru com pé no chão, nos dias de hoje.

Veja aqui meu vídeo sobre este tema.

Recebi essas duas perguntas:

“O que é um guru? Como escolher um guru? Porque quando eu vi o seu guru, eu pensei: meu Deus! Ele é um cidadão comum… Rsrsr vestindo roupas atuais e não um monge tibetano ou uma daquelas pessoas que vivem isoladas… Entende? Logo que se fala em guru, eu penso em algo transcendental…. E vi o seu guru bem próximo a você e de nossa realidade.  Gratidão.”

“Gostaria de saber mais a respeito de uma vivência mais aprofundada da espiritualidade, bem como do processo de ser guiado por um guru, no sentido de quem pode viver esse treinamento, o que é necessário abrir mão, etc.”

Primeiro, então, vamos entender o que é um guru.

Guru é a palavra em Sânscrito para “professor”. Usava-se a palavra para se referir a professores de gramática, artes marciais e tudo mais. Então, em termos práticos, guru no sentido espiritual é um professor, uma pessoa que vai lhe ensinar sobre a espiritualidade, sobre o despertar, e sobre como viver bem para maximizar sua vida humana.

Uma vez que entendemos isso, podemos ver que ser guru não tem nada a ver com nacionalidade, aparência ou roupa. A questão da roupa se deu quando a autora da pergunta viu este vídeo abaixo, que é uma entrevista que gravei com meu mestre espiritual, Hridayananda das Goswami. Lá podemos ver ele vestido com roupas “normais”, e eu também.

Não há base alguma para a ideia que ser guru significa ter roupas indianas ou tibetanas, ou longas barbas e cabelos. É um conceito óbvio: “o hábito não faz o monge”. Meu guru foi um dos pioneiros nesta luta por substituir a roupa indiana pela roupa ocidental e começar e descontruir esta falsa ideia que um guru do yoga, um representante de Krishna, precisa se vestir com roupas indianas. Imagine como seria engraçado e bobinho se todos que falassem em nome de Jesus tivessem que usar as roupas que Jesus usava?

Pelo contrário, se alguém cultiva a roupa e aparência do estereótipo de guru levanta-se uma suspeita. Está fazendo porque não entende que a roupa não tem nada a ver com a espiritualidade? Então falta-lhe conhecimento e a ideia de buscar um guru é para obter conhecimento. E se sabe que nada tem a ver e faz mesmo assim, está fazendo para quê? Para atrair mais seguidores, ganhar mais dinheiro ou se colocar numa posição especial? Está “se vestindo” de guru, fazendo papel de guru? Estaria com medo de perder seguidores se vestisse de forma “normal”?

Segundo, como escolher um guru.

Você precisa se sentir atraído aquilo que o guru (ou a guru) está dizendo. A informação precisa responder suas dúvidas, abrir seus olhos e lhe fazer sentido. A informação precisa ser “executável”, algo que você vê claramente que pode colocar em prática.

Indo mais fundo, cabe você analisar o guru. Ele ou ela está praticando o que diz? Sua vida e suas ações refletem seus ensinamentos? Sua vida simboliza aquilo que você está buscando?

Além disso, temos que saber de onde o guru está tirando suas informações. Qual sua linhagem? Qual sua tradição? Qual sua base? Um verdadeiro guru da linhagem do yoga tem que se basear nos grandes textos do yoga, em especial a Bhagavad-gita. O guru não pode contradizer em fala ou prática o que foi deixado por Krishna e praticado por outros mestres espirituais há milhares e milhares de anos.

Terceiro, o que é transcendental?

O guru é transcendental quando está falando de assuntos transcendentais e vivendo de forma transcendental. Transcendental não tem nada a ver com a roupa. Transcendental significa foco na alma, foco em Deus. Alma e Deus não são deste mundo material. São da realidade divina, da transcendência. Assim, quando alguém cultiva este estado espiritual, está cultivando a transcendência. Os tópicos ligados a estes assuntos, são tópicos transcendentais.

Ligar tudo na sua vida a sua natureza como alma e fazer de sua vida uma oferenda amorosa a Deus é justamente a essência e objetivo final do yoga, da espiritualidade.

Esse é o sentido último do despertar espiritual.

Quarto, o guru bem próximo a você.

Esse é o trabalho do guru: trazer todo este conhecimento bem próximo a você, para você colocar o despertar em prática. Sua missão é explicar o conhecimento milenar de forma simples e direta, na linguagem de hoje. É mostrar como todos podem se espiritualizar, não importa quem sejam, não importa onde estejam.

Mais ainda o guru deve estar acessível a você, para você tirar suas dúvidas, para você se inspirar por seu exemplo. Ele ou ela deve estar próximo de você neste sentido também.

Quinto, o processo de ser guiado por um guru.

Ser guiado por um guru significa colocar em prática o que o guru está ensinando. Quanto mais você coloca em prática, mais você está sendo seguindo o guru, ou seja, sendo um bom discípulo ou discípula. Seguir não é imitar. Seguir é praticar os ensinamentos básicos e colocar em prática as técnicas ensinadas pelo guru. Não é imitar as escolhas pessoais do guru, o jeito de falar, de se vestir e assim por diante.

Repare que isso se trata de conhecimento. Por isso, não é necessário você estar lá, literalmente aos pés da pessoa, se tornando um tipo de Minion. Você precisa, sim, viver sua vida, espiritualizando-a cada vez mais.

Ser guiado pelo um guru não significa abrir mão de sua independência e de sua individualidade, nem muito menos de deixar de preservar sua integridade física, intelectual e financeira. Quando isso acontece, você está nas garras de uma seita e sob controle de um falso guru sociopata.

Sexto, o que é necessário abrir mão?

Vamos abrir mão de tudo que não presta, a começar com a ignorância, a falta de conhecimento. Vamos abrir mão, gradualmente, dos maus hábitos, da violência, da mentira, da inveja, da falta de amor e da falta de consciência. Vamos abandonar a ilusão e abraçar a realidade divina.

Sétimo, quem pode viver este aprendizado?

Todo mundo pode e deve viver este aprendizado! É para todos mesmo. Não importa quem você é. Nem que você seja a pessoa mais pecaminosa, Krishna diz na Gita. Todos podem e devem trilhar o caminho do despertar. Todos podem se aprimorar e atingir a perfeição nesta vida, Krishna afirma. A vivência mais aprofundada deve ser feito aí em casa mesmo, em sua vida, no seu trabalho. E dependerá apenas de você, de seu grau de aplicação e execução daquilo que está sendo ensinado pelo guru.

Beba você direto da fonte, estudando os textos sagrados do yoga que norteiam os verdadeiros gurus. Um desses é o clássico de 2000 anos atrás, de Patanjali, que publiquei recentemente como, “Yoga Sutras de Patanjali Revolução: Como a Sabedoria Atemporal do Yoga Pode Revolucionar Nossa Vida Hoje” – http://giridhari.com.br/livros/yoga-sutras-de-patanjali-revolucao-como-a-sabedoria-atemporal-do-yoga-pode-revolucionar-nossa-vida-hoje/. O outro é a Bhagavad-gita, que você pode conhecer participando do evento online e gratuito, Semana da Bhagavad-gita: www.bhagavadgita.com.br.

 

Veja o que estão falando do livro “Yoga Sutras Revolução”: “Maravilhoso! Leitura clara, contagiante, está me ajudando inclusive a criar novos hábitos.” – Renata Aguilar

5 ideias sobre “Papo Reto Sobre Gurus

  • 28/05/2019 às 09:23
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    Bom dia amado Guru Giridhari,
    Já era para ter mandado um e-mail pra ti,
    Estou morando em Portugal, quero ser membro do canal.
    Com muito alegria e vontade de aprender cada vez mais contigo vou aproveitar tudo que mandou nesse e-mail.
    Muita luz, muita energia positiva pra você Guru.

    Responder
  • 02/06/2019 às 19:41
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    Boa tarde mestre Giridhari das. Sou eu Nanda Hijra de novo kkk. Já mandei um email pra ti uma vez pra perguntar como deveria vestir etc. Já que fiz parte por algum tempo do sufismo islâmico e naturalmente comecei a usar roupas como calças compridas e blusas de mangas longas e ainda um lenço para cobrir parte dos cabelos . Depois que me desliguei desse segmento religioso até consigo não usar lenço no meu bairro e outros lugares onde não tem movimento de pessoas. Mas quando se trata de ir a faculdade centro da cidade e outros lugares eu não consigo ficar sem véu. Não faço isso para me exibir e mostrar para os outros que sou uma pessoa santa e espiritualizada. Simplesmente é minha maneira de me sentir bem comigo mesma. Como tenho ascendência árabe cigana as pessoas até entendem meu posicionamento pela maneira como fui criada etc. A parte mais difícil é explicar pras pessoas que ninguém tá me obrigando a me vestir assim ou Deus me castigará se vestisse de outra maneira. Simplesmente eu me sinto plena assim e ponto . As vezes fico triste pois nem as mulheres de minha família se vestem mais assim, se vestem todas a maneira ocidental e sentem se bem. Admiro o desprendimento delas ,más pra mim nao da. Me sinto constrangida envergonhada caso use algo curto ou deixo os cabelos totalmente a mostra .Conversei com uma amiga psicóloga ela disse que eu devo desapegar e tal. Mas já tentei e me sinto péssima vestida onde apareça partes de minha pele e cabelos a pessoas estranhas. E como se estivesse nua. Acho que tenho alguma paranóia pelo corpo exposto kkkk. Não faço julgamentos alheios cada um vista se como se sentir bem e gostaria de fazer o mesmo. Mas parece aos olhos dos outros que estou sendo radical e querendo aparecer . E uSam frases como:as mulheres lutaram tanto pra pOder estarem em pé de igualdade com os homens e vc retrocedendo se tampando toda. Engraçado que eu já sei a resposta . Ninguém pode me obrigar a vestir ou desvestir já que não estou infringindo nenhuma lei.( não trata se de apropriação cultural já que tenho ascendência árabe cigana). Viu que confusão! Se uso véu me sinto ótima mas tenho que esclarecer que não sou muçulmana (apesar de cobrir apenas metade dos cabelos as pessoas acham que sou muculmana) se saio sem véu me sinto péssima constrangida. O que fazer numa situação dessas? Help me please! Obrigada Gratidão! Hare Krishna! Já li seu livro. Tô vendo as palestras do seu canal. E assistindo os vídeos . Parabéns e obrigada mais uma vez.

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    • 02/06/2019 às 20:39
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      Você tem o direito de se vestir como quiser. Não precisamos dar bolar para o que os outros dizem ou pensam. Você tem que seguir seu coração, pois é uma decisão puramente sua. Fique tranquila e forte sendo você.

      Responder

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